Em caminhos opostos, futebol alemão fatura três vezes mais que o brasileiro

Enquanto a receita dos 18 times da 1ª divisão da Alemanha cresceu 13% em 2014, o maior índice desde 2007, faturamento dos 20 maiores clubes do país está estagnado desde 2012.

O fatídico 7 a 1 que a Seleção Brasileira levou da Alemanha não foi por acaso e o resultado pode servir de exemplo para o futebol brasileiro tomar novos rumos assim como ocorreu com os próprios alemães. A guinada do país europeu no esporte mais popular do mundo ocorreu após um vexame, a precoce eliminação na Eurocopa de 2000, e foi coroada com o tetracampeonato da seleção alemã na Copa-2014.

Com base no desenvolvimento realizado pela Alemanha, o especialista em gestão esportiva e membro da Academia LANCE!, Amir Somoggi, realizou um estudo comparando a gestão no futebol realizada nos dois países. E o resultado do levantamento é mais um 7 a 1 para os alemães, mas desta vez fora das quatro linhas.

Um dos dados que chama a atenção é o de receitas envolvendo os maiores times. Enquanto os 18 clubes da 1ª pisão da Bundesliga faturou 2,45 bilhões de euros (cerca de R$ 10 bilhões), atingindo no ano passado a maior alta desde 2007, com 13%, o faturamento dos 20 maiores clubes brasileiros é de R$ 3,1 bilhões. Além de ser três vezes menor, a receita do futebol brasileiro está estagnada desde 2012, ano em que teve alta apenas por conta dos novos contratos de direitos de TV.

O impacto dos gastos exagerados dos clubes brasileiros é demonstrado na equação “Dívida x Receita Total”. Enquanto que no Brasil essa relação é de 2, ou seja, os clubes gastam mais que arrecadam, na Alemanha é de apenas 0,5.

Receita de marketing dos três maiores clubes alemães é de R$ 2,1 bi. Já a dos principais times brasileiros é de apenas R$ 166 mi.

A distância entre os dois países também ocorre na comparação entre os principais clubes: Bayern de Munique, Borussia Dortmund e Schalke 04 de um lado, e Flamengo, Corinthians e São Paulo de outro. Nessa disputa, a receita com marketing dos clubes alemães dá de goleada em relação ao faturamentos dos times brasileiros, R$ 2,1 bilhões contra apenas R$ 166 milhões. A diferença ainda ocorre com verbas de direitos de TV (R$ 1 bilhão contra R$ 296 milhões), e arrecadação com estádio (R$ 741 milhões contra R$ 98 milhões).

Entre as soluções para o futebol brasileiro apontadas por Somoggi está a realização de um projeto de reestruturação de longo prazo do esporte no país, a necessidade de maiores investimentos por parte da CBF no desenvolvimento da modalidade, principalmente em sua base, e a criação de uma Liga Nacional que traga melhorias comerciais aos clubes.

Por: Fabio Suzuki, LANCE!

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